HospitalFolia.

março 12, 2011

O título desse post pode parecer meio esquisito mas depois que ler as próximas linhas, entenderão.

Como todos no Brasil devem bem saber, vivemos nos últimos dias que se passaram sobre o estigma da maior festa popular do planeta: carnaval. E em se tratando de minha cidade – Salvador – isso até que é bem verdade.

Pois bem, cidade cheia de gente, turistas de toda parte do globo pra curtir, brincar, pular, beijar, beber, trepar, enfim, pra por pra fora todos aqueles desejos e sentimentos reprimidos. Ponto.

Eu, como alguns já devem saber, sou carnavalesco por natureza. Nasci praticamente em cima do trio do bloco Os Internacionais – que esse ano completou 50 carnavais -, sempre pulei atrás dos trios, tomando todas, curtindo, enfim, fazendo tudo o que um autêntico folião baiano faz. Se tinha uma coisa que eu não queria que chegasse era quarta-feira de cinzas. Queria que o carnaval durasse umas duas semanas, rs.

E ano após ano tem sido a mesma coisa e nunca reclamei, sempre quis mais e mais.

Porém, esse ano, algo aconteceu. Algo nada agradável e que me tirou o sono durante muito tempo: minha mãe sofrera um infarto há poucos dias antes da folia momesca.

Isso me botou no sério e meus dias de folia foram “curtidos” dentro de um quarto de hospital, acompanhando, cuidando, transformando aquele local frio e bucólico num espaço mais alegre, mais agradável. Não pra mim, mas para a mulher que me pôs no mundo. Afinal, ele merece. E muito.

Esses dias, principalmente os primeiros, foram conflitantes pois, ao mesmo tempo que queria estar na rua curtindo com minha mulher, minha filha e meus amigos, não conseguia deixar de me preocupar com ela que sempre fez tanto por mim, principalmente nos piores momentos.

No início foi ruim: 3 dias na UTI sem poder nem mesmo ficar ao lado dela mais do que 2 horas. Depois, já passado o perigo, no quarto, pude fazer companhia e amenizar seu sofrimento e levar um pouco de alegria pra ela.

E assim foi o meu carnaval. Calmo, porém tenso. Diferente, porém necessário. E tudo que acontecia no mundo fora daquelas paredes gélidas, acompanhávamos pela TV. Pelo menos ela nos trazia um pouco da folia para dentro daquele quarto insosso.

Enfim, o carnaval já passou, camarotes desmachados, ruas e praias limpas das sujeiras e mijos gerados por todo mundo, decoração recolhidas, e a cidade volta aos poucos à sua vida normal. Mas infelizmente a “folia hospitalar” continua, com minha foliã maior ainda em observação, ainda fazendo exames e ainda aguardando a sua tão sonhada “quarta-feira de cinzas”. Nunca pensei que sentiria ou diria isso mas… Eu também.

C.