Repercussão positiva… será?

Fala, meu povo!

Cá estou eu de volta, no intervalo entre um projeto e outro pra bater papo, desabafar, criticar, sugerir, enfim… escrever sobre tudo e todos! Sem distinção!  =P

Pois é… a bola da vez é prata da casa mesmo: Um post do meu blog, de quando Nicolle ainda estava com 33 semanas e blá – para ver o post clique AQUI – onde eu relatava a evolução semanal de minha filhota que estava prestes a nascer.

Independente do texto do post, o que parece ter chamado realmente a atenção de algumas futuras mamães foi a imagem, que era uma adaptação do convite do Chá de Bebê, baseado no modelo de fraldas que a gente mais gosta, a Pampers. Vejam:

Recebi algumas mensagens dessas pessoas comentando sobre como o convite estava lindo, bacana e tal, e pedindo pra poder “copiar” ou “ensinar a fazer”. É interessante ver um trabalho nosso sendo reconhecido, apesar d’eu mesmo não ter achado essa “criação” minha original – vi algo parecido em algum lugar e minha mulher também, tanto que foi ela quem sugeriu algo desse tipo – , na verdade foi uma alternativa rápida já que a minha idéia mesmo era fazer algo… digamos… tridimensional. Não vou citar pra não “chuparem”. =)

Mas, enfim, essa situação me faz recordar de outros momentos na minha vida onde recebi alguns elogios por isso ou aquilo (muitos deles eu nem concordo, mas…) e que, na verdade, com o passar do tempo e com a experiência adquirida, esses “elogios” não são tão valiosos quanto deveriam ser.

Sei que alguns irão me criticar por estar escrevendo isso, e em parte, têm razão. Mas, vou explicar o contexto: Sou o primeiro a dizer que uma palavra de apoio, de valorização, de agradecimento e de reconhecimento são peça-chave para um bom relacionamento e mais, de motivação para o indivíduo, tanto pelo lado pessoal como profissional. Mas já imaginaram se, por exemplo, pegarmos um artista famoso… sei lá… vamos inventar um. O Bill Miklos! Pronto…

Bill Miklos, artista gráfico, pintor, reconhecido por muitos e tal. Já imaginaram o que o Bill Miklos faz pra sobreviver? Pintar, é claro! Criar peças gráficas, artísticas, quadros, painéis decorativos, etc. E todos que conhecem o trabalho do Bill, sabem os anos que ele investiu em cursos, em aprendizado, investindo em sua arte, em seu talento, em seu trabalho. Por isso mesmo, o aplaudem quando o vêem numa exposição, ou comentam positivamente quando lêem à seu respeito numa revista. Muitos adorariam ter um quadro do Bill em sua sala, ou mesmo, um painel super-bacana e bonito na sala de reunião do seu escritório. Mas esses muitos que “desejam” tudo isso, se esquecem que tudo isso que Bill faz… tem um preço. O preço do seu esforço, do seu talento, do seu trabalho.

Poucos reconhecem o trabalho de um artista, muitas vezes galgado em anos de dinheiro investido em material, em escolas, cursos, academias, em noites mal dormidas sem mal poder curtir seu próprio filho recém nascido que, por falta de tempo, nem teve um convite para seu Chá de Bebê. Nem tem, na verdade, Chá de Bebê. Sabem porque?! Porque o seu trabalho não vendia. Ou melhor, vendia, mas não o suficiente. Os poucos que reconheciam o trabalho e talento de Bill Miklos, valorizavam os seus quadros e painéis não só com palavras de reconhecimento e admiração, mas com a valorização dele. Sabem como?! COMPRANDO os quadros do Bill. Afinal, um artista, ou mesmo um médico, engenheiro, arquiteto, músico, vive de sua “arte”, de seus estudos e investimentos constantes em aprendizado e evolução, como então, não cobrar por isso?! Pensem nisso antes de pedir algo pra alguém, pois esse “algo” pode ser o instrumento de sobrevivência desse alguém…

Essa historinha que estou contando me fez lembrar que certa vez, uns amigos meus de infância montaram uma banda. Tocavam todas as noites pra apurar o repertório e a qualidade de sua música. Em pouco mais de 1 ano, resolveram gravar um CD. E em uma de minhas visitas a um deles, pedi pra ouvir o som da banda. Adorei! Muito bom! Uma batida forte, com personalidade… muito interessante. Diria até que era “altamente comercializável”. Pois bem, logo em seguida perguntei onde estavam vendendo o CD que eu queria comprar! Mas fui imediatamente interrompido com um rompante “Não! Que é isso, Chandão!! Você é meu brother!! Toma aqui! Esse é seu!”. Nesse momento fiquei feliz em receber aquele CD que me fora dado de presente, mas… ao mesmo tempo me senti incomodado. E um pensamento me surgiu à cabeça: “Pô… fulano é gente fina, conhece um montão de gente… já imaginou? Dar um CD pra todo mundo que aparecer aqui e gostar da música dele?”. Isso tem um lado interessante, o lado do Marketing. Faz bem abrir mão de uma parcela do seu produto pra investir em auto-promoção. Mas o que eu havia pensando se tornou realidade. Eles deram mais CDs do que venderam. Resultado: Não duraram 3 anos. Não foi por falta de talento. Isso eu sei. Talvez tenha sido por falta de visão empresarial, visão empreendedora, ou algo do tipo. Queria ter estado mais por perto pra poder ter ajudado a “vender” esses CDs. Mas o fato é que, eu não aceitei o presente que ele me deu. E ele não se sentiu mal, sabem porque? Por que eu disse pra ele: “Nego véi, me deixe valorizar ainda mais o seu trabalho. Me venda seu CD. Faço questão.”… ele chorou, me agradeceu, e me vendeu o seu CD que guardo até hoje com  muito carinho e ouço sempre que dá vontade.

E assim como ele chorou, eu também chorei, mas não só nesse momento, em muitos outros. Quando vejo um trabalho bem feito, seja por quem quer que seja, se sinto vontade de ter, aprender, etc… a primeira coisa que pergunto é “quanto custa? ” E, a depender do que seja, não aceito pagar menos do quanto acho que vale. E se achar caro, ou peço um desconto “viável” ou agradeço e vou embora.

Talvez seja isso que falta em muita gente: a sensibilidade para perceber que tudo na vida tem o seu valor. Cabe a nós nos valorizarmos perante a sociedade (consumista ou não) e sabermos dar valor às coisas. Não sei se vocês sabem mas, nesse mundo em que vivemos, nada é de graça. Até o ar que respiramos tem um “preço”.

Desculpem se me fiz alongar, mas coisas como essas me fazem refletir bastante à respeito. Já existiu uma época em que eu “dava” meus trabalhos em troca de promessas, de trocados e até por pena de algumas pessoas que pareciam pobres ao ponto de ter uma empresa de quase R$ 500.000,00  e não poder bancar um cartaz de R$ 300,00. Esse tempo acabou.

Às pessoas que me procuraram na época – como estava sem acessar meu blog, acabei nem respondendo à tempo e seus filhos já devem ter nascidos, rs – e às que me procuram ainda para pedir certas “ajudas” só tenho algo a dizer: Sou Ilustrador e Designer. Investi mais de 20 anos na minha vida profissional, acordo todo dia às 5h30 da manhã pra cuidar de minha filha, sair de casa pra encarar quase 1 hora de engarrafamento pra deixá-la com a babá na casa de minha mãe, depois mais meia-hora para o escritório onde fico 8 horas seguidas (quando não faço hora extra) trabalhando, depois saiu constantemente pra reuniões de trabalho ou mesmo, volto pra casa pra dar continuidade a outros projetos, depois pego minha filha e minha mulher e vou pra casa, depois de quase 1 hora de trânsito, chegando por muitas vezes às 22h em casa e mal sobrando tempo pra curtir minha mulher e minha filha por conta do cansaço e da exaustão, sem contar os finais de semana que tiro pra trabalhar pra aumentar o faturamento familiar e dar uma vida melhor para elas, sobrando-me pouquíssimo tempo para ler um bom livro, ir à praia, levar minha mulher ao cinema, minha filha ao parque, sair pra tomar umas com os amigos, enfim… CUSTA CARO abrir mão de certas coisas. Já imaginou se todo mundo que chegasse pra mim e me pedisse que criasse um cartão de visita, uma logo para sua empresa, um mascote para sua escola, uma ilustração para o seu produto, eu desse? Ia viver de quê? De doação? Quem iria doar pra mim comida, roupas, combustível e alimento para minha família? Na vida temos que fazer escolhas o tempo todo. E a minha escolha de vida atual, foi ser profissional e agir como tal. Quer ganhar alguma coisa de mim? Prove que merece.

E pergunto pra essas mesmas pessoas se quando elas vão à alguma loja, pedem uma roupa de presente? Quando vão à um restaurante, pedem uma refeição de graça? Quando estão doentes e vão ao médico, o atendimento é gratuito?! Se outros fazem caridade, eu não faço. Ou melhor, até faço. Mas, como diz agora há pouco, pra quem merece e pra quem eu acho que  precisa.

É isso…

Me desculpem os que não concordam comigo, afinal todos têm o direito de discordar. Também não quero assumir uma postura radical à ponto de “nunca fazer nada de grátis pra ninguém”, mas em determinada circunstâncias, acho que cabe à nós, cidadãos consumidores que somos, reconhecer um trabalho e dar o devido valor a ele. Pois pra mim, é mais fácil dar de cortesia um trabalho meu pra alguém que se oferece a pagar do que a quem já chega “pedindo”…

Eu penso assim.

C.

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12 Responses to Repercussão positiva… será?

  1. Biu disse:

    confesso q queria ter lido tudo, mas tá muiiiito grande!!! rs
    beijo.

  2. Isabel Pedrosa disse:

    Olá, vih seu convite e achei hiper interessante, tentei fazer igual, mais não tenho recuso p/ isso. É que irei fazer um chá de fralda… talvez, será se tinha como vc me ensinar a fazer??
    obrigada pela atenção desde já.

  3. Alex disse:

    Em vez de escrever uma história sem pé nem cabeça, poderia ter colocado o preço!

  4. Juliana disse:

    Boa noite!
    Gostaria de saber quanto vc cobra para fazer a arte desse convite para que eu envie por e-mail para os convidados. Favor reponder para o meu e-mail…
    Grata,
    Juliana

  5. alessandra disse:

    ola como vc editou esse pacote de fraldas?

  6. Ana Paula disse:

    Entendi nada mais justo que ser valorizado pelo seu trabalho! Mais quanto custa? Estou gravida e achei a ideia da sua espoca supimpa! PARABÉNS PELO SEU TRABALHO!

  7. Sara Tosta disse:

    Parabéns pelo convite, mas, ainda bem que grandes mestres não pensam como você, dispor de um molde ou ensinar alguém que queira aprender a confeccionar algo parecido não significa deixar de valorizar todo o trabalho que vc teve ou tudo aquilo que você estudou, significa ensinar pessoas que não tiveram a mesma oportunidade ou os mesmos recursos em aprender que você teve. Mas como vc mesmo disse, me desculpe por discordar da sua opinião. Com certeza vc também faz uso de muitas idéias de outras pessoas para aprimorar os seus trabalhos e isso não te deixa menos digno. Fazer , disponibilizar ou ensinar algo pro bono para alguém , ajudar muitas mães que querem realizar o sonho de ter algo parecido e não podem comprar, seria hombridade e isso não tem preço….
    Não sou mãe, não estou grávida, mas ficaria decepcionada com sua resposta…
    Abraços
    Sara Tosta

    • Chandler disse:

      Obrigado pelo parabéns, e que bom que todos não pensam igual, não é? Assim temos liberdade de pensar e agir como achamos melhor, gostem ou não. Diante do que falou, Sara, Não se trata de não querer gerar um molde de graça para todo mundo ou ensinar de graça a quem me pedir. Você faz isso? Trabalha de graça pelo bem da humanidade? Recebeu isso na sua infância? Estudou de graça? Fez faculdade sem precisar pagar? Ganha coisas comumente quando simplesmente precisa e pede? O mundo talvez fosse melhor assim… ou não. O fato é que eu ajudo sim pessoas dando treinamento de graça, dando ilustrações de graça, fazendo projeto em troca de nada. Sabe por que? Porque essas pessoas merecem por alguma razão, não podem pagar e normalmente as conheço e sei que fazendo isso eu posso ajudá-las. O que eu não posso é criar meus produtos e cedê-los gratuitamente para o(s) primeiro(S) que chegar pedindo. Vou viver de quê? Se você consegue viver assim, infelizmente eu não consigo. Me perdoe. E lhe garanto, que as “ideias que uso”são apenas referências para eu mesmo poder criar ou para sugerir alguém para fazer pra mim e, obviamente, eu pagar por isso. Eu trabalho com criação e projetos gráficos, vivo disso e quem tiver interesse em adquirir meus produtos é só me contratar. E quem quiser aprender a fazer como eu, é só chegar com humildade que terei o maior prazer em ensinar. Mas… “ajudar mães a realizar seus sonhos”? Ahahaha… se maternidades, lojas de bebês e fábrica de leite não dão de graça porque eu o faria? É como diz o velho ditado: “quem pariu Mateus que balance”.
      Abraços.

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